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dezembro 05, 2010

março 01, 2010

António Vitorino d'Almeida

A vida tem que ter swing! Porque se não tiver é uma grande chatice... 
Palavras de Vitorino d'Almeida, ditas num dos melhores programas culturais de televisão do qual extraí o som dos últimos minutos.

Câmara Clara, com Vitorino d'Almeida

Pianista, compositor, comunicador, realizador de cinema, etc. Um dos maiores músicos portugueses vivos, e de boa saúde. Um ser humano de primeira água.

fevereiro 02, 2010

Morreu uma Rosa

Rosa Lobato Faria morreu hoje. Deixou-nos um ser humano de grande qualidade que, pela sua humildade e modéstia deixou uma obra quase desconhecida do grande público.
A nossa singela homenagem com o seu mais mediático trabalho de letrista e poeta.

janeiro 18, 2010

Moody Blues - Nights In White Satin

Uma das coisas que mais me doeu, no meu degredo para a Guiné, foi a falta do meu companheiro do costume. Essa terapia maravilhosa que é o jazz. Exactamente onde mais falta me fazia, não estava lá. Não havia ipod's nem MP3 nem DVD. Apenas aqueles discos pretos, meus amigos estimados, que me era impensável sujeitar às severas condições locais.
No entanto, num buraco chamado Fulacunda, onde fui despejado, havia, para minha surpresa, um gira discos portátil, estereo, com colunas destacáveis, e um disco. Só um disco! Days of Future Passed. Não conhecia, arredado que estava de quase tudo o que não era jazz.
Passei horas de ócio, que na situação era quase todo o dia, sentado entre as duas colunas, a ouvir essa única âncora à civilização. Simplesmente a ouvir ou acompanhando a leitura dos poucos livros que me couberam na bagagem. Durante quatro meses!
Essa música funcionava como suporte onírico fazendo-me voar para fora daquele local, para perto dos que amava, para os locais familiares e inventados, para perto do meu mar.
Deparei com este clip que representa um pouco essas viagens



São estes os sítios mas eu o mesmo não sou ... nem eles...


Quando vejo estes músicos, décadas passadas, a repetir os mesmos solos, as mesmas orquestrações ad nauseam, sempre me ocorre se são homens ou máquinas que actuam. é por isso, também, que adoro o jazz; o pavor da rotina.

dezembro 30, 2009

Hot Clube de Portugal

Excelente artigo sobre a história do Hot Clube, por João Moreira dos Santos in Jazz no País do Improviso!
Ler aqui

dezembro 24, 2009

Kind of Blue

Decorria o ano de 1959, e o músico Miles Davis decidiu surpreender tudo e todos com mais uma das suas....Depois de ter quebrado um enorme tabu jazzistico com o Birth of The Cool uns anos antes (1949/50), chegou a vez de Kind of Blue, essa sublime obra, por muitos caracterizada como uma pedrada no charco, devido aos poucos recursos de ordem técnica aplicados, mas de elevadíssima riqueza e ambiência sonora . Quebrou a tradição que vinha vindo a desenvolver no domínio de um hard bop, embora algo tímido e começou a desenvolver a modalidade, ou o Jazz Modal (termo muito utilizado e reclamado pelo pianista e criativo George Russell). A simplicidade de recursos técnicos associados a um elenco de luxo, tornou o Kind of Blue numa das mais perfeitas (e vendidas) obras de jazz da Historia universal da música.Conhecido pelo seu feitio difícil, Miles Davis surgiu mais calmo e mais "doce" que nunca!Uma obra realizada no céu, diria Jimmy Cobb, baterista de serviço nesta sessão.Muito já se disse sobre Kind of Blue, musicólogos, revistas da especialidade, músicos, críticos, etc... e uma coisa é consensual, é uma obra actualíssima, muito embora já se tenham passado 50 anos da sua realização. Tem frescura e é de culto.Há quem defenda que Miles Davis foi um visionário, um homem muito avançado para o seu tempo, numa América racista e castradora. Aos negros era destinada a franja da sociedade em vários domínios (cultural, social, politico, religioso, laboral) o sistema de oportunidades não era semelhante entre brancos e negros. Até nesse campo Miles Dewey Davis Jr. III, era um privilegiado pois provinha de uma família negra de classe média alta (o pai foi um dos primeiros dentistas negros).Não dotado de recursos musicais eclécticos, o nosso trompetista tinha uma capacidade criativa muito acima da média, diziam que podia dar um concerto só com variações de três acordes!Kind of Blue não é uma obra tecnicamente pungente, não transporta nos seus genes, os acordes vertiginosos do be bop, nem do hard bop, é uma obra inovadora e completamente intimista. Não há uma tensão no ar, não temos vontade de nos abanar, mas sim de flutuar, entrar em estado gasoso, levitar. Nirvana puro.Composto na sua versão comercial/original por 6 faixas gentilmente gravadas na Columbia Legacy Records, Kind of Blue, reuniu a nata jazzistica musical daqueles tempos. Com músicos uns mais conhecidos que outros, todos eles embarcaram numa viagem de sonho para a posterioridade. Momentos de estúdio de grande tensão devido ao feitio de Miles Davis também não faltaram! É de conhecimento público a pouca simpatia de Miles por músicos brancos, diz que teve alguns dissabores com Bill Evans ao gravar "Freddie Freeloader", disse que o som/acordes estavam "brancos" demais, foi quando chamou para a sessão um pianista negro só para gravar uma faixa! O feliz contemplado foi Wynton Kelly só assim ele conseguiu a expressão e tonalidade que queria dar ao tema. Muito exigente, obsessivo. Tinha olho clínico, moderava entre os melhores e os talentos emergentes.

Músicos:
Miles Davis- Tp
Julian Cannonball Adderley- sax alto ( excepto blue in green)
John Coltrane- sax tenor
Bill Evans- Piano (excepto freddie freeloader)
Wynton Kelly-Piano
Paul Chambers- Bass
Jimmy Cobb- Drums

Estes sete músicos entraram em estúdio e mudaram o percurso do jazz moderno . Será que foi noutra dimensão? Não digo metafisica, mas musical/ sonora foi com certeza. É um registo único, não se fez mais nada parecido até então!Homenagens pelo mundo jazzistico aconteceram pelo mundo inteiro a comemorar estes 50 anos tão jovens, muitos prestam vassalagem a esta pérola musical.Obra que mudou consciências estéticas e maneiras de estar.Os teóricos dizem que uma colecção de jazz sem o Kind of Blue, não é uma verdadeira colecção! A mim parece-me óbvio...

Publicado por Rafael Pereira

O DISCO em documentário.


Outra versão c/ legendas em francês



Kind of Blue-O tema Blues in Green

Edição comemorativa na AMAZON
Edição original, remix, em CD na AMAZON

dezembro 17, 2009

Chris Botti & Sting

Hoje, com muito prazer, vou abrir este espaço a duas sugestões que me agradam particularmente.
Ambas no mesmo sentido: O trompetista Chris Botti, que não conhecia, acompanhando Sting.
A primeira vem por via de ML, regular visitante e subscritora,  um pouco avessa à música da surpresa mas com curiosidade crescente.
A segunda vem pela mão de um grande amigo e companheiro de músicas e vidas, Rafael, que me disse:
Aqui vai o My funny Valentine, pelo C.B e pelo "deus" Sting.
A loira charmosa que vês é a Truddy Styler esposa do Sting 



Bourbon Street



My funny Valentine

novembro 20, 2009

Não desistam ...

Inspirado por um belo dia de sol e depois de um passeio a pé, junto ao mar, e apesar dos desgostos, sinto-me com disposição para uma mensagem optimista.
Por mais negro que o céu se apresente o sol voltará. Não desistam!





Don't give up

In this proud land we grew up strong
We were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail

No fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
Ive changed my face, Ive changed my name
But no one wants you when you lose

Dont give up
cos you have friends
Dont give up
Youre not beaten yet
Dont give up
I know you can make it good

Though I saw it all around
Never thought I could be affected
Thought that wed be the last to go
It is so strange the way things turn

Drove the night toward my home
The place that I was born, on the lakeside
As daylight broke, I saw the earth
The trees had burned down to the ground

Dont give up
You still have us
Dont give up
We dont need much of anything
Dont give up
cause somewhere theres a place
Where we belong

Rest your head
You worry too much
Its going to be alright
When times get rough
You can fall back on us
Dont give up
Please dont give up

got to walk out of here
I cant take anymore
Going to stand on that bridge
Keep my eyes down below
Whatever may come
And whatever may go
That rivers flowing
That rivers flowing

Moved on to another town
Tried hard to settle down
For every job, so many men
So many men no-one needs

Dont give up
cause you have friends
Dont give up
Youre not the only one
Dont give up
No reason to be ashamed
Dont give up
You still have us
Dont give up now
Were proud of who you are
Dont give up
You know its never been easy
Dont give up
cause I believe theres the a place
Theres a place where we belong

novembro 08, 2009

Alfie

 

Alfie (Are we meant to take more than we give?)
Música - Burt Bacharach
Letra - Hal David
 Patricia Barber - Night Club  - Álbum descontinuado mas ainda se encontra nos usados da AMAZON

What's it all about, Alfie?
Is it just for the moment we live?
What's it all about when you sort it out, Alfie?
Are we meant to take more than we give
Or are we meant to be kind?

And if only fools are kind, Alfie,
Then I guess it is wise to be cruel
And if life belongs only to the strong, Alfie,
What will you lend on an old golden rule?

As sure as I believe there's a heaven above, Alfie,
I know there's something much more,
Something even non-believers can believe in

I believe in love, Alfie
Without true love, we just exist, Alfie
Until you find the love you've missed, you're nothing, Alfie
When you walk, let your heart lead the way
And you'll find love any day
Alfie, Alfie



setembro 25, 2009

Nefertiti - Wayne Shorter

Apetece-me deixar aqui uma nota autobiográfica que, de certo modo, responde a alguns amigos que me perguntam qual a música da minha preferência. Fico quase na situação de, ao observar uma noite estrelada, ter de escolher qual a estrela que prefiro.
A música sempre me fez sonhar acordado. Tenho gravações, no velho vinil, que quase se gastaram, de tanto serem ouvidas. Uma delas, que já deixei para o meu filho, foi o álbum de Miles Davis, Nefertiti. Comprei a edição em CD e continuo a ouvi-lo.
Não sei explicar porquê, mas a audição dos temas Nefertiti e Fall desse album, sempre me fizeram sonhar com o mar. Viajar sem destino num mar calmo de verão, longe da costa, tendo por companhia o remorejar do casco, cortando as águas, e o piar das gaivotas voando sobre mim por puro prazer. Por certo o seu autor, Wayne Shorter, nunca se meteu num barco e isso prova que a música nada significa para além dela própria.
Muitos anos decorreram até poder concretizar esse sonho mas, já depois dos 50, pude aliar esses dois supremos prazeres: vela e jazz. Nada mais sublime que realizar um sonho. Velejar ao som de Miles, nesse clima de contemplação e liberdade que as composições de Shorter, pontificadas pelo piano de Herbie Hancock e pela bateria de Tony Williams, deram a este final da época acústica de Miles. Só lamento que essa experiência não tivesse sido partilhada por outras almas, mas faltava sempre um elemento comum; estavam indisponíveis, não gostavam de Miles ou enjoavam...
Porquê esta história agora? Quando acordamos de um sonho temos necessidade de o partilhar com outros, sem entender que um sonho não pode ser partilhado.
Aqui apenas posso partilhar a música:
No original :Nefertiti
e na versão de um talentoso e desconhecido pianista:



Para ouvir 30 segundos de cada tema do álbum ou para comprá-lo clique aqui

julho 22, 2009

Amor dançado

Romeu e Julieta
Sergei Prokofieff: Suite de Romeu e Julieta
Ballets de Monte-Carlo
Direcção e coreografia:
Jean-Christophe Maillot
Exibido no canal MEZZO


Acto II (pas de deux)



Acto III (pas de deux)

julho 01, 2009

Pina Bausch? Quem é?

Se perguntarmos nas ruas de qualquer país civilizado quem foi Pina Bausch, estou certo que a resposta será: não sei ou algo ainda pior. No entanto estamos a falar de uma verdadeira revolucionária da dança. Depois dela o bailado modificou-se de uma forma definitiva. Não só a dita "dança clássica" (que mau termo para este caso) mas de toda a dança.
Morreu Pina Bausch. No entanto o mundo chora Michael Jackson.
Eu sei que a cultura não é levada a sério nem chega à rua em Portugal, nem chega às televisões, onde hoje tudo se joga. Onde estão os programas de MÚSICA e BAILADO? Dança comigo!
O trabalho (estrato de Sagração da Primavera ) de dois verdadeiros marcos da modernidade: Igor Stravinski e Pina Bausch



Felizmente há internet!

abril 29, 2009

Deficiente!? E então? (So what?)

Há exemplos de vida notáveis. Para aqueles que se queixam das suas limitações, aqui vos deixo um. Michel Petrucciani. Nasceu com uma doença degenerativa que lhe travou o crescimento e, decerto, seria mais um dos que arrastam a sua deficiência, não fora provir de uma família de músicos. Começou a tocar piano aos 4 anos e a música (essa milagreira) salvou-lhe a vida. Morreu em 1999, com 36 anos, de uma infecção pulmonar.
Nada mais a propósito que "So What" de Miles Davis.




Anthony Jackson : baixo eléctrico
Steve Gadd : bateria

Biografia
Documentário